ah, você acha que isso aqui é auto-ajuda? tanto faz, eu só quero mesmo ser um mix de Martha Medeiros e Carpinejar quando eu crescer. te mete.

(a saber: novas regras de pontuação, ortografia, gramática e estruturação são muito admitidas nesse blog. porque a língua se mexe e você nem sente.)

28.10.11

Do fim que não tem fim.

Se um sai batendo a porta com força, o que fica se enraivece. A raiva é dominadora, instiga o orgulho, estapeia a autoestima e exige o esquecimento daquele que se foi.  O esquecimento é chamado, na verdade, por aquele que pisou na bola. 
O que, de certa forma, é bom.


Se um sai com outro, o que fica se magoa. A mágoa é água, ela se alarga, invade e encharca a autoestima. A autoestima emerge, bóia e grita  o esquecimento daquele que saiu com outro. O esquecimento é chamado, na verdade, por aquele que traiu. O que, de certa forma, é bom.


Se um sai do ambiente do interesse, se desinteressa e voa, o que fica se frustra. A frustração é pesada, desaba sobre a esperança e atinge a autoestima. A autoestima se sacode, move-se e diz que só vai dançar novamente caso a música seja sobre esquecimento. O esquecimento é chamado, na verdade, por aquele que se distraiu.
O que, de certa forma, é bom.


Mas e se um não sai? E se dois ficam? Ficam e conversam sobre tudo o que há e o que há é bem bonito. No meio da boniteza, há coisa de poréns aqui e acolá. Coisas que podem ser remendadas, consertadas, arrematadas, coladas. Coisas que têm esperança, enfim. Entretanto, há momentos de cegueira e de cansaço, onde os dois ficam, conversam e acham que nada mais tem jeito. 


Se dois saem porque dois não puderam mais, a tristeza é convidada a entrar. A tristeza é vapor, aérea, se estabelece, entorpece. Mas ela não sabe atingir a autoestima. Porque tristeza remói em cima da beleza. Ela lembra do bonito a todo tempo. Tristeza não reclama o esquecimento. Ela está muito ocupada em se lembrar. O esquecimento nunca é chamado, na verdade, por dois que ainda insistem em ser dois. 
O que, de certa forma, é uma bosta.



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