ah, você acha que isso aqui é auto-ajuda? tanto faz, eu só quero mesmo ser um mix de Martha Medeiros e Carpinejar quando eu crescer. te mete.

(a saber: novas regras de pontuação, ortografia, gramática e estruturação são muito admitidas nesse blog. porque a língua se mexe e você nem sente.)

6.5.11

a quase história.


Cora foi chamada pra o aniversário de uma amiga não tão amiga, mas que é uma pessoa bacana, Cora gosta dela. Ixe, o aniversário seria num lugar que Cora não curte muito. Mas ela foi.
Gabriel, em outro canto da cidade, não muito distante, só pensa em se divertir. Qualquer lugar serve, desde que esteja com amigos, porque homem é resolvido assim.
Cora vai para aquele lugar não tão cool. Ia dormir na casa de uma amiga que morava perto (quanto arrependimento por essa escolha). A amiga quer ficar até o fim. Ambiente lotado, música chata, muita fumaça e pouca animação pra Cora. Mesmo com todo o barulho tremendo, Cora dorme em cima da mesa.
Gabriel já tomou algumas, algumas que Cora não tinha tomado e acorda Cora. Ela acorda assustada, olha em volta e vê um rosto no meio do escuro rindo pra ela, fazendo sinal e pedindo que ela saia de onde está, dê a volta na mesa pra ir conversar. Cora não acredita. Quanto abuso de um estranho.
Mas algo diz a ela: levante e sente do lado dele. Mesmo morrendo de sono e tédio, Cora dá uma chance a esse cara: bem, dou duas frases pra ele me conquistar.
Gabriel usa as duas frases. E usa tudo que sabe. Ele pede pra ver o pé de Cora. E pergunta qual a cor do esmalte. Ele quer que ela tire a sandália pra ele enxergar melhor o pé dela. Quanto abuso de um estranho.
E a noite ERA chata. Agora, Cora e Gabriel são só sorrisos. Mas eles não se tocam, apenas trocam telefones. E assim que Gabriel sai dali, ele já liga pra Cora. Ponto pra você, Gabriel.
Dia seguinte, mais ligação, muito papo, se falam por email e resolvem se encontrar. E aí se tocam, chegam perto, começam a contar uma história com dois protagonistas. Ou já haviam começado?
Gabriel e Cora parecem feitos um pro outro, tem alegria, risos e harmonia no ar. Mas talvez não fossem um casal tão perfeito. Eles saem algumas vezes, vão ao cinema, comem pipoca, chocolate, dançam, tomam cerveja, riem juntos, cantam, batem longos papos, se abraçam apertado, caminham na chuva abraçados embaixo de um só guarda-chuva, discutem coisas bobas, andam de roda gigante sobre o mar.  Porém, algumas divergências sobre objetivos de vida os separam por algum tempo.
Depois desse algum tempo, com algumas coisas bastante mudadas, se reencontram. E se afastam. E se reencontram. Ah, quantos hiatos entre eles.
Cada vez que se reencontram, estão mais maduros, com mais histórias. E mais feridas. Mais carga. E talvez estejam mais distantes. Talvez não haja mais encantamento, pode ser só amizade. Friends with benefits. Ou talvez nem mais isso. Pode ser só passado. Talvez.
Apesar das divergências, que hoje nem existem mais, eles se gostam, é nítido, inegável, se gostam com ingressos, com tickets, com emails guardados. Percebe-se na conversa, no sorriso, nos olhares, nos toques fugazes. Não se sabe se Cora e Gabriel se gostam com a mesma intensidade, vigor, desejo, intenções ou sei lá o quê, afinal esse é o mistério de toda relação. Não se sabe.
Não se sabe o fim dessa história. Esse pode ser o fim. Ou o fim pode estar sendo construído.  Ou já acabou e puft: o “THE END” não subiu e a platéia continua sentada. Esse é um romance moderno. Tão moderno que nem é bom comentar o que acontece nos bastidores.
Mas há o que pode ser comentado, afinal há cortinas translúcidas…
Cora é feliz por ter conhecido Gabriel. Ela só queria…
Bem, ela pediu pra não contar essa parte.
Gabriel foi feliz quando conheceu Cora. Mas ele não quer…
Bem, ele preferiu não contar essa parte.
À parte disso, o mundo. Entre eles. A favor deles. Ou não. Eles ainda vão decidir isso. Ou não.
Quanto abuso de um mundo estranho.


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