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| "Juntos pelo acaso" - mais uma comédia romântica. e assunto pra crônica. |
E aí você vai ao cinema e decide, sabe-se lá por que, ver uma comédia romântica. E comédia romântica é aquilo: as falas certas, nas horas certas, o cara ideal (ou nada ideal) diz e faz coisas ideais, ou diz e faz coisas nada ideais e depois se arrepende e, por fim, diz e faz coisas ideais. O que se tem é sempre o mesmo: muitos suspiros femininos; a idealização do relacionamento: um casal no qual ambos reconhecem e admitem seus erros e fazem de tudo para mudar. A comédia romântica é o diabo enlatado.
“Será que esses roteiristas são, em sua maioria, mulheres? Porque cabeça de homem não funciona como em comédia romântica, definitivamente...”
Então, você sai do cinema pensando em sua relação e em todos os poréns dela. “O quê está certo? O que está errado?” Por que você não consegue melhorar o seu relacionamento? Será que esses filmes hollywoodianos estão tão distantes da realidade assim? Será que você quer o impossível?
“A vida não é filme e você não entendeu...”
A vida não é sonho, você sabe.
Mas a vida pode ser melhorada e admite ajustes, você bem sabe.
Ninguém pode colocar nas costas do outro a responsabilidade por sua própria felicidade, baita clichê. Você pode, sim, analisar se está feliz numa relação.
Você é romântica e seu par nem tanto... Ou quase nada... Você já tem 1 ano, 2 anos, 5, 10, de namoro, casamento, noivado, whatever, e “puxa, nunca ganhei flores...”.Ok, você não tem mania de grandeza, você não está falando de um buquê de tulipas albinas do Noroeste da Holanda, você está falando de umas 3 rosinhas da xepa da feira mesmo. E você também nunca foi convidada para um jantar romântico. E tem muito tempo desde aquela última surpresa que ele fez pra você. E ele se esqueceu de comprar um presente para você no seu aniversário. E quando foi mesmo a última vez que ele escreveu um bilhetinho amoroso pra você? Caramba!
Você não quer Hollywood na sua vida. Você quer coisas simples. Talvez ele não saiba das coisas de que você gosta, apesar de tanto tempo juntos. Sensibilidade não é característica básica do cromossomo Y.
Você, então, explica pra ele; “Querido, é assim que gosto, essas coisas fazem diferença pra mim, assim como faz diferença tudo que faço para deixar você feliz.” Faz diferença na relação. Você teve didática, você repetiu e checou com ele se entendeu. Ele disse que tinha entendido e que ia mudar.
De repente, é sexta à noite de novo e a vida em conjunto continuou como domingo à tarde: a mesma coisa morna. Aquele açúcar que você queria de vez em quando não veio nem como adoçante. Você está sonhando muito com Hollywood?
Todos têm defeitos, talvez a ausência de romantismo seja o defeito do seu amado. Coitadinha de você, hein... Ele tem qualidades bacanas e você as conhece. Mas será que não se pode lutar contra um defeito, quando se sabe que a relação pode melhorar muito caso você assim o faça?
Talvez a paixão tenha acabado e esse marasmo é algo típico do amor, essa outra fase que você acha estar vivendo. “Então, o amor é chato, né?!”
As pessoas tornam o amor chato, escolhem torná-lo uma lagoa bonita, mas sem nenhuma marola. Você sabe que já viveu amores mais surpreendentes...
Você pode largar isso pra lá, pode dar uma banana para Hollywood e seus roteiros românticos ou pode dar um tchau a quem faz do amor algo sem bossa. Bem, se a vida fosse fácil, esse texto não valeria para nada (se é que vale...). E seus sentimentos, onde ficam?
Essas perguntas admitem n respostas, cabe a você achar a sua. Relacionamento exige empenho, dedicação e esforço de compreensão. Você pode pesar prós e contras. Você pode continuar na mesma. Você pode começar a olhar em volta. Você pode sair em busca do que você quer. Você pode acreditar na sua relação. Você pode dar uma chance ao amado, mais uma, mais outra e mais dez vezes dez. Você pode acreditar na força do seu amor. Você pode ficar sozinha e romantizar-se por aí.
Você não pode deixar outra pessoa lhe dizer que “você está querendo demais” porque você sabe e já comprovou que não, você quer algo simples.
Em “Juntos pelo acaso”, após ver uma briga da namorada com o ex-namorado dela, aquele médico bonitão diz “Vá ficar com ele. Se eu brigasse assim com a minha ex-mulher, nós ainda estaríamos juntos.”
É isso.
Você só não pode desistir de lutar.
Você só não pode se conformar.

4 comentários:
Olha, eu tenho estômago pra assistir filme do Iñarritu, do Lars von Trier, do Almodovar... mas não me pede pra assitir comédia romântica não!
É tortura!
hey, Fernanda!
claro que não estou pedindo ninguém pra ver comédia romântica e isso aqui não é uma apologia desse gênero de filmes. tbm não sou fã do tipo. essa comédia romântica citada apenas deu food for thought. olhe que coisa boa: pelo menos em algo não tão legal, a gente consegue tirar motivos e idéias pra escrever.
obrigada pela visita e pelo comentário!
seja bem-vinda!
grande beijo!
Mi, vc deveria explorar mais esse seu lado "Martha Medeiros"!!!
Adorei o que vc escreveu e concordo que "lago parado" nos faz entrar no marasmo do relacionamento, mas um "Mar revolto" também nos deixa apreensiva, triste e procurando Saída.
A pergunta é: Como conseguir um relacionamento "lago com Marolas"??? Aceitando tudo? Deixando o "barco correr"? Falando pouco?
Para mim, tudo depende da nossa personalidade e isso pode não ajudar a encontrar o "equilíbrio", pois eu sou mais do "deixa disso" e "cala a boca e me beija"!! Será que agindo assim, meu relacionamento tem futuro???
Ahhhhhh, só o tempo dirá!!!!
Nem sempre é falta de romantismo, muitas vezes é falta de Compreensão.... Vamo que Vamo!!!
Parabéns pelo Blogger!!!! Bjs
Enriqueta,
relacionar-se é desafio sempre, estabelecer limites é coisa de doido e cada um segue com uma fórmula, com um padrão... se tá dando certo pra vc, vai nessa!
obrigadona pela visita, fiquei SUPER feliz!
bjo
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