Se um sai batendo a porta com força, o que fica se enraivece. A raiva é dominadora, instiga o orgulho, estapeia a autoestima e exige o esquecimento daquele que se foi. O esquecimento é chamado, na verdade, por aquele que pisou na bola.
O que, de certa forma, é bom.
Se um sai com outro, o que fica se magoa. A mágoa é água, ela se alarga, invade e encharca a autoestima. A autoestima emerge, bóia e grita o esquecimento daquele que saiu com outro. O esquecimento é chamado, na verdade, por aquele que traiu. O que, de certa forma, é bom.
Se um sai do ambiente do interesse, se desinteressa e voa, o que fica se frustra. A frustração é pesada, desaba sobre a esperança e atinge a autoestima. A autoestima se sacode, move-se e diz que só vai dançar novamente caso a música seja sobre esquecimento. O esquecimento é chamado, na verdade, por aquele que se distraiu.
O que, de certa forma, é bom.
Mas e se um não sai? E se dois ficam? Ficam e conversam sobre tudo o que há e o que há é bem bonito. No meio da boniteza, há coisa de poréns aqui e acolá. Coisas que podem ser remendadas, consertadas, arrematadas, coladas. Coisas que têm esperança, enfim. Entretanto, há momentos de cegueira e de cansaço, onde os dois ficam, conversam e acham que nada mais tem jeito.
Se dois saem porque dois não puderam mais, a tristeza é convidada a entrar. A tristeza é vapor, aérea, se estabelece, entorpece. Mas ela não sabe atingir a autoestima. Porque tristeza remói em cima da beleza. Ela lembra do bonito a todo tempo. Tristeza não reclama o esquecimento. Ela está muito ocupada em se lembrar. O esquecimento nunca é chamado, na verdade, por dois que ainda insistem em ser dois.
O que, de certa forma, é uma bosta.
